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Universidade: Protopia para a era digitalPersistem, em meio ao turbilhão do século 21, as visões liberais-utópicas. Falta, para superá-las, um projeto capaz de mobilizar quem segue acreditando em instituição autônoma, transformadora e comprometida com a emancipação eco-etno-social Parte I – Glossário utopiano para entender a tecno-utopia do capitalismo Em sociedades marcadas pela colonialidade iluminista eurocêntrica, a milenar instituição chamada Universidade tem cumprido uma missão histórica como produtora de utopias alimentadoras da cosmovisão hegemônica. Ao analisar modelos de instituição universitária estabelecidos no hemisfério Norte nos séculos 19 e 20, o hermeneuta francês Paul Ricoeur (2005, p.324) afirma que a Universidade provêm da utopia liberal humanista que “denega, por vezes até ingenuamente, as verdadeiras fontes do poder que são a propriedade, o dinheiro, a violência, todas as forças que não são as da inteligência”. Para Ricoeur (2005, p.324), o cerne dessa forma utópica “estava presente no Iluminismo francês (talvez de um modo mais político e mais imediato), assim como no Iluminismo alemão (mais como teoria da cultura)”. A utopia universitária, no primeiro caso, encontra-se na alegoria das Luzes (Lumières), no segundo caso, na ideia de formação geral (Bildung). Não obstante celebrações e autoemulações, o modelo de universidade atribuído a Humboldt, baseado na Bildung, representava uma utopia de autonomia e liberdade acadêmica nunca realizada na prática. Apesar de ameaças, crises e retrocessos, esse modelo institucional e político-pedagógico resiste em todo o mundo, de modo residual e anacrônico, como elemento gerador de tensões internas na educação superior, mesmo na universidade brasileira contemporânea (Chauí, 2001). No Brasil, o ensino superior se estruturou inspirado no iluminismo francês das Lumières, modelado pela organização curricular em cátedras e disciplinas e pela fragmentação institucional em faculdades, priorizando a qualificação profissional restrita em lugar de uma formação geral na cultura (Almeida-Filho, 2025). Nas últimas décadas do século passado, a aplicação ampla do conhecimento científico na produção industrial, sob a forma de técnicas e saberes tecnológicos, com o avanço do capitalismo neoliberal em escala globalizada (Kotz, 2015). Como efeito dessa suposta quarta revolução industrial, modelos de produção baseados em controle e automação foram viabilizados por tecnologias eletroeletrônicas e dispositivos digitais, gerando mudanças profundas nas formações econômico-sociais do que Boutang (2011) propôs designar como capitalismo cognitivo. Nesse contexto, batizado como Era Digital (Floridi, 2014), profundas transformações sociais, políticas e culturais constituem a “sociedade da informação”,terreno fértil para dataficação da vida cotidiana na era do capitalismo de vigilância (Zuboff, 2019). Nesse âmbito, cabe destacar os recentes hypes do metaverso e da Inteligência Artificial (IA), cujo impacto na cibercultura, nos sistemas formativos e na educação superior foi objeto de recente artigo publicado em Outras Palavras (Mascarenhas & Burdman, 2025). Num registro introdutório e ainda esquemático, proponho refletir sobre o papel da universidade nos diversos planos e dimensões da formação de sujeitos epistêmicos e de reprodução das utopias da modernidade e suas derivações, no contexto atual de globalização do capitalismo cognitivo. Na parte I, apresento um pequeno glossário de termos derivados do conceito de utopia, como distopia, retrotopia, desutopia, heterotopia, focalizando sua utilidade para compreensão dos contextos e impactos do digital no mundo contemporâneo. Com base nessa fundamentação, buscando avaliar formas viáveis de superação do caráter utópico da educação superior, na parte II analisarei o forma protopia como princípio gerador de projetos realistas e viáveis visando à concretização de mudanças contingentes e estratégicas de uma dada realidade social em geral e no interior de instituições sociais, como a universidade. Na parte III, compartilharei uma reflexão sobre pertinência e possibilidades de uma tecno-protopia como estratégia capaz de articular forças políticas e movimentos sociais em torno de um projeto de universidade pública de fato autônoma, comprometida com competência sociotécnica, soberania tecnológica, emancipação de sujeitos epistêmicos e sensibilidade eco-etno-social. Pequeno glossário utopiano A ideia de utopia se deve primeiro a Platão, que concebeu a Politheia, uma sociedade perfeita. A palavra ‘utopia’ surgiu no Renascimento, como título de uma fábula política escrita pelo estadista e professor universitário Thomas Morus (Segal, 2012). Koselleck (2020) nos traz uma fascinante história do conceito de utopia, inicialmente desterritorializado como “lugar-nenhum”, posterior ganhando temporalidade como projeção de futuro (Vorwurf). Nas várias línguas modernas, após cinco séculos de variação semântica, a palavra utopia veio a designar qualquer situação ideal, porém impossível, irrealizável, imaginária, fadada a ser objeto de sonho, desejo e motivação (Jameson, 2005). No século 19, numa crítica aos “socialismos utópicos”, o marxismo equiparou utopia à ideologia, ambas vistas como obstáculos ao progresso político. Para Marx e Engels, ideologia refere-se a representações ilusórias que ocultam as verdadeiras fontes de exploração e opressão (Eagleton, 2015). Para se contrapor à interpretação marxista, o filósofo conservador Lewis Mumford (1922) distingue dois tipos de utopias: de fuga e de reconstrução. Ele também propõe o termo ‘eutopia’ para utopias positivas, em contraste com ‘outopias’, que representam lugares inexistentes ou impossíveis. No entreguerras do século 20, Karl Mannheim (1976 [1929]) propôs uma análise da utopia como ideologia, com base numa classificação de quatro tipos de utopia: milenarista (previsão de um reino celestial), liberal humanista (baseada no progresso humano por meio da educação), conservadora (retorno a uma era dourada tradicional) e socialista, esta última vista como superação das anteriores pelo materialismo histórico. A proposta mannheimiana ficou quase esquecida até 1975, quando Ricoeur (2005), ao analisar criticamente o conceito de ideologia desde sua origem no Iluminismo francês, propôs interpretar o marxismo como utopia nostálgica, revolucionária e conservadora. Para ele, a utopia socialista busca romper com a ordem vigente e está orientada para o futuro, enquanto a ideologia legitima o presente e se volta ao passado. Ricoeur sugere ainda que tanto a ideologia quanto a utopia podem representar patologias políticas: dissimulação e fuga, respectivamente. O termo “distopia” foi cunhado por John Stuart Mill em 1868 para criticar propostas de reforma agrária no Parlamento britânico (Claeys, 2010). Analisando suas origens na cultura do progressismo pessimista, Koselleck (2020, p. 276) se refere às distopias como “utopias negativas”. Popularizado na literatura de ficção científica, como em Admirável mundo novo e 1984, o termo se refere a regimes totalitários em cenários futuros catastróficos; filmes como Metropolis, Blade Runner e Brazil ilustram a representação cinematográfica dessas sociedades distópicas (Ashley, 2016). Para examinar a tendência milenarista presente nas narrativas distópicas, o sociólogo Zygmunt Bauman cunhou o conceito de “retrotopia“, título de seu livro póstumo (Bauman, 2017). Nesse trabalho, descreve a contemporaneidade como um cenário sombrio e fragmentado, no qual instituições sociais tradicionais, hierarquizadas, excludentes e desiguais, contribuem para patologias sociais marcadas pela nostalgia de um passado que nunca existiu, gerando sentimentos e comportamentos xenofóbicos, racistas, discriminatórios e ressentidos diante da alteridade (Bauman, 2017, p. 8). De fato, perspectivas populistas e autoritárias frequentemente evocam a promessa de retorno a uma “era dourada”, um passado idealizado e fictício. Esse desejo de reaver uma grandeza ou pureza perdida apoia-se na ideia de uma “identidade natural”, justificativa para discriminação, criação de divisões, segregação, isolamentos e dissidência. Bauman apresenta diferentes formas de “retrotopia”, todas com tendências regressivas. Na primeira dessas retrotopias, os Estados modernos tentaram, sem sucesso, copiar o modelo tirânico do Leviatã; no entanto, como o poder já não mais vem da posse da terra, tal esforço estava condenado à frustração. Com isso, quando a hegemonia falha, resta ao poder recorrer à violência estatal sob o pretexto de evitar outros tipos de violência, como terrorismo ou agressões sem propósito definido. Para responder a essa contradição, cria-se outra retrotopia: o resgate de um mundo perdido, visto como uma tribo ou clã coeso e poderoso. A terceira retrotopia é geopolítica: em nome da recriação de uma ordem mundial livre da institucionalidade estatal, as conquistas de políticas públicas dos estados de bem-estar social pós-II Guerra Mundial são revertidas pelo neoliberalismo. Retrotopia seria enfim a espécie mais extrema e radical da utopia conservadora, aquela que, voltando-se para o passado, busca retroceder o relógio da história antevendo um futuro desesperado e arriscado (Bauman, 2017). Numa de suas últimas entrevistas, Bauman (2017a) afirma que “o futuro (outrora a aposta segura para o investimento de esperanças) tem cada vez mais sabor de perigos indescritíveis (e recônditos!). Então, a esperança, enlutada, e desprovida de futuro, procura abrigo num passado outrora ridicularizado e condenado, morada de equívocos e superstições.” O que está em questão, portanto, é o futuro. Em Archaeologies of the future: the desire called utopia and other science fictions, Fredric Jameson (2005) analisa a natureza desejante da Utopia (em maiúsculas). Recentemente falecido, formulador de uma vertente àesquerda da teoria do pós-modernismo, Jameson foi um dos mais importantes pensadores marxistas da atualidade. Nesse debate que nos interessa, Jameson (2005) analisa a utopia como parte da base cultural do capitalismo tardio e classifica suas manifestações como, por um lado, práticas políticas conscientes e, por outro, impulsos inconscientes, presentes nas artes e cotidiano. Para Jameson, a utopia impulsiona diferenças além do individualismo, promovendo transformações profundas no espaço comum do cotidiano. Dialogando com as antinomias da utopia e atento à hegemonia promovida pela biopolítica nas sociedades de controle, Antonio Negri formulou o conceito de desutopia. Para Negri (2002), além das relações de classe social, o mundo contemporâneo se rege pela multidão, porém a multidão não gera mais utopias, mas sim desutopias: formas de agir sobre a linguagem e fomentar desejos difusos de transformação material. Inspirado em Foucault, Negri defende que práticas políticas podem criar genealogias emancipatórias, pois a desutopia se manifesta biopoliticamente, revelando culturas densas e vivas, e desafia comando e violência desde baixo, contrapondo-se ao biopoder. Em seguimento, Cicarelli (2018) introduziu a noção de “tecno-desutopia”, baseada numa visão sobre o futuro do trabalho marcada pelo pessimismo quanto ao impacto da automação, com o desaparecimento de profissões tradicionais e um ambiente hostil aos seres humanos, legitimando a precarização do trabalho no capitalismo digital. Ao valorizar a experiência transformadora, reafirma-se a possibilidade de liberdade, pois o horizonte das necessidades materiais rejeita essencialismos, impondo limites des-utópicos, num momento em que a humanidade parece descrente de utopias localizadas no futuro. Capitalismo digital e tecno-utopia No mundo globalizado, a digitalização do capitalismo industrial não é um fenômeno estruturalmente novo pois a automação apenas intensifica a exploração da força de trabalho e mantém a produção de desigualdades, elementos estruturais da formação econômico-social capitalista. Mesmo que a automação cibernética possa gerar ganhos de produtividade, na prática, tem sido utilizada para tendencialmente reduzir custos operacionais. Nesse contexto, sem necessariamente melhorar as condições de vida ou de trabalho da grande maioria das trabalhadoras e dos trabalhadores, as plataformas digitais se tornam o principal meio de inserção no mundo do trabalho, mas, ao mesmo tempo, perpetuam relações de exploração, aumentam a alienação do trabalhador e ampliam iniquidades sociais. (Fraser, 2024) A economia política do capitalismo destaca a relevância do trabalho, porém, reconhecendo limites impostos por necessidades materiais da produção, a incorporação de tecnologia digital implica também elementos cognitivos do investimento humano nos processos produtivos. No plano da vida cotidiana, a sociedade informacional envolve crescente interação com redes sociais, blogs, vídeos e dispositivos digitais, mediada por Inteligência Artificial (IA), fomentando a ilusão de autonomia das tecnologias (Floridi, 2014). A ilusão tecnológica, acentuada pela IA no imaginário social, desconsidera conflitos históricos entre capital e trabalho, tratando a automação digital como inevitável, e não como um projeto intencional para aumentar o desempenho de sistemas produtivos e aprofundar as desigualdades estruturantes do modo de produção capitalista (Piketty, 2014). O discurso tecno-utópico, otimista, aposta que a “revolução tecnológica” em curso resultaria em aumento expressivo da produtividade, oferecendo empregos qualificados e bem pagos, porém esse avanço vai gerar desemprego estrutural, o chamado “desemprego tecnológico”, já que o capitalismo digital concentra riqueza e não redistribui os ganhos tecnológicos (Cicarelli, 2022). Nesse debate, discursos tecnofílicos legitimam as transformações neoliberais do mercado de trabalho como naturais, enquanto narrativas tecnofóbicas alertam para a perda de empregos e cenários distópicos com robôs substituindo humanos, fomentando críticas às tecno-utopias, sobretudo nos países capitalistas centrais. Cicarelli (2022, p. 298) aponta a pertinência de refutar “a tese modernista e romântica dos ‘robôs’ que distingue todas as (des)utopias tecnológicas, [dado que] a tecnologia está sujeita ao uso político”. Nessa linha, defende que a tecnologia pode ser benéfica, desde que acompanhada de uma reorganização social capaz de compartilhar os frutos desse progresso de forma justa. No plano político-ideológico, as transformações tecnológicas reconfiguram constantemente o Estado, suas normas e afetam a vida jurídica e democrática. Novos sujeitos de direitos surgem em realidades ampliadas e virtuais, com direitos incertos e corpos influenciados por biopoderes (Rodríguez, 2019). Desde a cibernética até as neurociências, emergem subjetividades marcadas por análises preditivas e riscos, como o trans-humano e o humano hiper-híbrido (Santaella, 2021). A visão predominante prioriza a adaptação individual de corpos a parâmetros tecnológicos, em detrimento do respeito à diversidade social. É essencial reconhecer esse aspecto para contestar visões utópicas impulsionadas por ideologias tecnofílicas, independentemente da orientação política. No referencial da tecno-utopia, diversas previsões sobre uma suposta “revolução tecnológica” não se concretizaram como esperado. Ao contrário do que se previa, as máquinas não substituíram em grande escala o trabalho humano, nem a produtividade aumentou de maneira tão expressiva quanto antecipado. Na realidade, milhões de pessoas entram no mercado de trabalho enfrentando condições instáveis e precárias, forçados a se integrar ao ambiente tecnológico das plataformas digitais, muitas vezes ocupando empregos precarizados, temporários ou subempregos para garantir seu sustento. Nesse cenário, disseminam-se movimentos que rejeitam ideais adaptativos e fomentam uma espécie de des-utopia coletiva, numa lógica de desconstrução que desafia princípios como necessidade, utilidade e racionalidade, desvelando e denunciando a totalidade controladora e opressiva em que estamos inseridos. Portanto, é pertinente analisar as mitologias digitais da tecno-utopia como efeitos ideológicos do capitalismo cognitivo, cenários em que o trabalho humano tende a se desvalorizar, tornar-se precário ou até desnecessário, mesmo obsoleto. Heterotopias e utopias realistas No prefácio de Les Mots et les Choses (1966), Foucault utiliza a “enciclopédia chinesa” de Borges para ilustrar a ruptura da ordem do discurso. Quase en passant, propõe o termo hétérotopie para definir espaços que rompem com as representações tradicionais na modernidade europeia. O núcleo conceitual da teoria das heterotopias foi desenvolvido por Foucault em uma série de conferências, entre dezembro de 1966 e março de 1967. Nessas exposições, Foucault (1984; 2009) aprofunda a diferenciação entre utopia (um lugar sem realidade) e heterotopia (um espaço efetivo, porém distinto); destaca que todas as culturas produzem suas próprias utopias e heterotopias; e apresenta a proposta de uma heterotopologia, entendida como um método sistemático para descrever tais espaços. Numa perspectiva analítica, heterotopias ultrapassam abordagens meramente estéticas ao apresentar implicações políticas relevantes, pois configuram modos alternativos de viver, resistir e imaginar, evidenciando formas de vida que escapam às normas vigentes. A heterotopia permite analisar regimes, relações e lugares radicalmente subversivos, cuja complexidade se mostra sempre latente e distante da enunciação. Heterotopia não é uma modalidade de utopia, já que esse nome deve ser reservado para aquilo que realmente não tem lugar (u-topos), mas designa lugares muito reais que têm “a curiosa propriedade de estar em relação a todas as outras localizações, mas de tal forma que suspendem, neutralizam ou invertem o conjunto de relações que se encontram, por si mesmas, designadas, refletidas, repensadas” (Foucault, 1984, p. 49). Alguns espaços heterotópicos cumprem a função de exclusão, encarceramento, escondimento e estigmatização de sujeitos e de discursos. Foucault (2009) estende assim a ideia de heterotopia para uma forma histórica de construção de equipamentos coletivos, concretizados na história da modernidade, como presídios, manicômios, asilos, antes do advento dos regimes disciplinares e das sociedade de controle (Gross, 2020). Entretanto, a heterotopia pode se manifestar ou se realizar como práticas comunitárias, formacionais, artísticas e culturais que convocam atenção, rigor e imaginação para abrir um campo de experiências possíveis. Dessa forma, restaura a capacidade de reinventar e desencantar o espaço pela invenção lúdica, dado que práticas sociais podem ativar heterotopias, enraizadas em tensões e lutas políticas. Do ponto de vista político pragmático, heterotopias correspondem a utopias realistas. A expressão “utopias realistas” se deve ao pensador marxista norte-americano Erik Olin Wright que, por mais de três décadas até o seu falecimento em 2019, animou um movimento acadêmico-militante intitulado Real Utopias Project. No livro Envisioning Real Utopias, Wright (2010) busca “uma estrutura conceitual para pensar em alternativas emancipadoras e especificar os elementos centrais de uma teoria da transformação social” (p. 265). Wright (2010, p. 270) reafirma que podemos “avançar nos caminhos do empoderamento social como um processo experimental no qual continuamente testamos e retestamos os limites das possibilidades e tentamos, na medida do possível, criar novas instituições que expandam esses próprios limites. Ao fazê-lo, não apenas visualizamos verdadeiras utopias, mas também contribuímos para torná-las utopias reais.” A tradução livre desta citação não capta o sugestivo jogo de palavras do original em inglês: In doing so we not only envision real utopias, but contribute to making utopias real. A conclusão dessa obra póstuma pode ser lida como uma reafirmação do caráter heterotópico do marxismo ocidental, reagindo à paralisia das esquerdas, após a queda do socialismo real na União Soviética. Boaventura de Sousa Santos (2020; 2021), ao atualizar as proposições de Wright em meio à pandemia da Covid-19, analisa as utopias realistas como formas concretas de transformar a sociedade, mesmo que o horizonte utópico seja inatingível. Ele define ‘utopia real’ como a busca imaginativa por novas possibilidades coletivas e individuais, que valem o esforço da luta. Segundo Santos (2021), experiências sociais inovadoras, ainda que limitadas, rompem com modelos dominantes e possibilitam a construção de outro futuro desde já. E conclui que “qualquer ideia inovadora é sempre utópica antes de se transformar em realidade” e que precisamos das utopias realistas “porque muitos dos nossos sonhos foram reduzidos ao que existe, e o que existe é muitas vezes um pesadelo, [portanto] ser utópico é a maneira mais consistente de ser realista no início do século XXI”. (Santos, 2021, p. 260) Na Parte II deste artigo, veremos como essas questões convergem para uma discussão sobre a universidade, confrontada por heterotopias e protopias, em particular no que se refere à utopia da autonomia e à tecno-utopia da soberania tecnológica. Universidade: Resposta diante do cercoRegimes obscurantistas, em ascenso no Ocidente, ampliam ataque ao saber e à democracia. Como reagir? Uma alternativa protópica – portanto concreta, não idealista – pode superar tanto as ilusões da modernidade iluminista quanto os limites acanhados da pós-modernidade Proponho refletir sobre o papel da universidade nos diversos planos e dimensões da formação de sujeitos epistêmicos e de reprodução das utopias da modernidade e suas derivações, no contexto atual de globalização do capitalismo cognitivo. Na parte I deste texto, apresentei um pequeno glossário de termos derivados do conceito de utopia, como distopia, retrotopia, desutopia, heterotopia, focalizando sua utilidade para compreensão dos contextos e impactos do digital no mundo contemporâneo. Com base nessa fundamentação, buscando avaliar formas viáveis de superação do caráter utópico da educação superior, analiso nesta parte II o forma protopia como princípio gerador de projetos realistas e viáveis visando à concretização de mudanças contingentes e estratégicas de uma dada realidade social em geral e no interior de instituições sociais, como a universidade. Na parte III, compartilharei uma reflexão sobre pertinência e possibilidades de uma tecno-protopia como estratégia capaz de articular forças políticas e movimentos sociais em torno de um projeto de universidade pública de fato autônoma, comprometida com competência sociotécnica, soberania tecnológica, emancipação de sujeitos epistêmicos e sensibilidade eco-etno-social. Universidade e Utopia Em 1953, Robert Hutchins, então Reitor da Universidade de Chicago, resgatou o conceito de utopia para propor uma universidade ideal, comprometida com o desenvolvimento de uma sociedade avançada não apenas em aspectos econômicos e tecnológicos, mas também humanísticos e sociais, numa visão liberal. Hutchins (1953) apresenta o capitalismo industrial como uma utopia em processo de concretização, exigindo um novo modelo de educação superior, uma “Universidade da Utopia”, definida por interdisciplinaridade, flexibilidade, abrangência e racionalidade prática. Dessa forma, propunha superar o especialismo, o positivismo e o cientificismo, segundo ele fatores responsáveis pelo distanciamento da universidade tradicional em relação à sociedade moderna. Em oposição ao otimismo utópico do capitalismo industrial e considerando o contexto político influenciado pelo macarthismo e pela Guerra Fria, algumas vertentes da teoria crítica europeia postularam que a educação formal contribui para a manutenção das relações de classe e do sistema jurídico-político. Louis Althusser (1980 [1966]), em Ideologia e Aparelhos Ideológicos de Estado, utiliza conceitos do marxismo gramsciano, como a ‘hegemonia’, para avançar sua análise crítica do Estado, o que posteriormente fundamentou a abordagem da “educação como reprodução social” (Bourdieu & Passeron, 1975). Essas abordagens alimentaram expectativas utópicas de uma transformação radical na educação, capaz de gerar novas formas de subjetividade e sociabilidade, viabilizando uma revolução cultural capaz de romper com os regimes de reprodução ideológica pela pedagogia formal. Nos discursos utópicos sobre educação, observa-se uma disputa em torno da subjetividade, destacando as categorias de pedagogia, reprodução e replicação como centrais para a formação de subjetividades futuras, tanto em transições graduais quanto em rupturas radicais. Jameson (2005) argumenta que escolas e universidades são instituições utópicas criadas para explorar os futuros possíveis e aponta que a educação tem papel cada vez mais relevante na construção de identidades diante das novas subjetividades. Na utopia socialista, educação e reprodução social convergem numa pedagogia coletiva voltada à formação de sujeitos críticos para uma nova ordem econômica, social e política. Conforme Jameson (2005, p. 168), compreende “o tipo de transformação radical da subjetividade pressuposta pela maioria das revoluções, uma mutação nas naturezas humanas e o surgimento de um ser humano totalmente novo.” A visão jamesoniana da utopia de uma revolução tranquila pela educação revela certa “impaciência com a pedagogia” pois os modelos formativos do Ocidente, comprometidos com a tradição e a institucionalidade, produzem respostas tímidas, lentas e tardias (Lewis, 2009). Por isso, mostram-se incapazes de realizar a profunda mudança em valores, afetos e consciência, necessários para alcançar os objetivos utópicos do marxismo ocidental. Particularmente em relação à educação superior, cabe neste momento avaliar se a instituição universitária – invenção histórica do Ocidente europeu para promoção da cultura grecolatina cristã, recriada na época clássica para formação de quadros do Estado moderno, reinventada na era pós-iluminista como lugar da produção do conhecimento científico, ativa na condição de usina ideológica da tecnociência – seria capaz de desempenhar essa missão radicalmente trans-formadora. Constatados alguns dos limites e problemas da utopia universitária iluminista, atualizada pelo socialismo democrático, consideremos então a questão da protopia. Da protopia Em 2006, no contexto do movimento Universidade Nova, propus o neologismo ‘protopia’ como epílogo e título de uma coletânea de ensaios sobre o futuro da universidade brasileira (Almeida Filho, 2007). Na transição para o segundo governo Lula, essa iniciativa serviu de inspiração para o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), a mais abrangente tentativa recente de reforma universitária realizada no Brasil, entre os anos de 2007 e 2012. Naquele texto, a palavra ‘protopia’ nomeava “uma proposta provocadora, realista, viável, portanto realizável; […] movimento assumidamente desejante, mobilizador, histórico (no sentido de operado pela ação humana) […], a favor de um lugar; movemo-nos em direção a este lugar; neste movimento, construímos o novo lugar, nossa protopia, a Universidade Nova” (Almeida Filho, 2007, p. 295). Anos depois, descobri que a noção de protopia havia sido incorporada ao debate sobre ciberpolítica e mundo virtual por Kevin Kelly, fundador da revista Wired, intelectual orgânico do autonomeado “futurismo”, bastante celebrado no imaginário do Vale do Silício. Isso ocorreu numa postagem datada de 2011, no site The Technium, frequentemente citada na literatura cinzenta dos estudos de futuros: “nosso destino não é nem utopia nem distopia nem status quo, mas protopia. […] Como uma protopia contém tantos novos problemas quanto novos benefícios, essa complexa interação de trabalho e ruptura é de difícil previsão”. Sob a liderança do próprio Kelly, num movimento quase viral de vulgarização em-linha, a noção de protopia tem se disseminado em redes sociais, portais e blogs de gurus, mentores empresariais, palestrantes e influenciadores digitais. Nos países do Norte, numerosas iniciativas de criação institucional, consultoria empresarial, preparação de quadros e produção ideológica rapidamente se organizaram, fomentando um hype típico da cibercultura contemporânea. Em março de 2023, mereceu uma special series do influente New York Times, intitulada Protopia Movement (https://www.nytimes.com/2023/03/14/special-series/protopia-movement.html). Não obstante seu caráter de modismo, se embasada num referencial teórico consistente, a ideia de protopia pode se configurar como uma importante questão filosófica e teórica (Bielskyte, 2021). Nesse sentido, será um atraente e promissor quadro referencial para a ação política, social e cultural necessária para transformar de modo sustentável o contexto contemporâneo, caracterizado por complexidade, inovação disruptiva, interdependência global e incerteza radical numa “complexa interação de trabalho e ruptura”. Hanzi Freinacht (2022) propõe transformar a noção de protopia em conceito. Relacionando as etapas históricas de modernidade, pós-modernidade e metamodernidade às formas de imaginar o futuro: Utopia, Eutopia e Protopia, ele critica as utopias clássicas por serem insuficientes e perigosas. Segundo Freinacht, a utopia da modernidade, associada ao iluminismo, é marcada por teleologia rígida e lógica binária, buscando eliminar conflitos e diferenças, o que levou a projetos políticos autoritários e violentos. Buscando superar essa concepção, retoma a ideia de eutopia – sem mencionar ter sido proposta por Mumford, conforme vimos acima – para identificar “o bom lugar” e rejeitar o sentido de “lugar nenhum”. Diferentemente da utopia, a eutopia não projeta um futuro distante, mas vincula-se ao pensamento pós-moderno, a crítica às grandes narrativas e a valorização do contexto, enfatizando a diversidade cultural. No entanto, para Freinacht (2022), a eutopia tem limitações estruturais: ancorada em exceções muitas vezes personalizadas, carece de escalabilidade, continuidade histórica e capacidade de coordenação sistêmica. No impasse entre o universalismo perigoso da utopia e o particularismo fragmentário da eutopia, Freinacht (2022) baliza o conceito de Protopia, compreendido como representativo de uma metamodernidade. A protopia combinaria o impulso direcional e mobilizador da utopia com a sensibilidade crítica e plural da eutopia, sem absolutizar nem eliminar qualquer um desses modos de conceber as mudanças sistêmicas. A protopia se apresenta precisamente como uma tendência convergente, oferecendo uma gramática conceitual para pensar transformações sociais profundas sem recorrer às ilusões ou armadilhas do passado. A superação das crises da modernidade e os limites da pós-modernidade de fato exigem uma imaginação política capaz de articular esperança sem dogmatismo e crítica sem imobilismo. A perspectiva da protopia, enfim, não aponta para um único futuro desejável, mas para um espaço de possibilidades, implicando um “horizonte de eventos” onde podem emergir distintos futuros (Shermer, 2018). Retomando, de certo modo, a ideia de heterotopia de Foucault, o conceito de protopia se refere à mobilização ou ao movimento proativo para implementar propostas de criação ou mudanças profundas em uma determinada realidade. Sob diversos ângulos, direcionada à concretização de projetos realistas e possíveis, a perspectiva da protopia se revela uma “ironia crítica”: reconhece os riscos das grandes narrativas, sem ignorar os conflitos de interesses dos micropoderes; entende bem os perigos do ceticismo que paralisa, mas também considera as limitações de agir diante da incerteza. No contexto educacional, especialmente, a protopia aposta no potencial da aprendizagem e na transformação gradual das instituições sociais por meio de “práticas sociotécnicas formadoras” pertinentes à esfera da cultura e ao imaginário social. Retomei o tema da protopia em 2020, num artigo escrito em colaboração com Luis Eugenio de Souza (Almeida-Filho; Souza, 2020). Inicialmente, examinamos dois modelos de universidade surgidos na Europa do século 19. O primeiro modelo é utópico, supostamente humboldtiano, baseado na autonomia institucional, na liberdade acadêmica e na centralidade da pesquisa científica como princípio formativo. O segundo é atópico, derivado da Reforma Bonaparte na França pós-revolucionária, caracterizado pela subordinação direta do ensino superior ao controle estatal (Almeida-Filho, 2025). Consideramos que a proposta de reforma universitária do governo Bolsonaro [2019-2022] representava um modelo distópico, na medida em que ameaçava a autonomia universitária, subordinava o conhecimento às lógicas de mercado e fragilizava a universidade pública enquanto instituição estratégica para a democracia, a ciência e a inclusão social (Almeida-Filho & Souza, 2020). Como alternativa, propusemos uma protopia para a universidade brasileira com base na inclusão social e étnico-racial, por meio de reorganização curricular em ciclos formativos e fortalecimento do vínculo entre universidade, educação básica e desenvolvimento nacional. Autonomia ameaçada A história das universidades no Brasil começou ainda no período imperial, seguindo um modelo francês caracterizado por faculdades isoladas e pouca autonomia universitária (Almeida-Filho, 2025). Mesmo com a criação oficial das universidades no país, já no século 20, a fragmentação institucional, o controle estatal e as restrições à autonomia continuaram como características marcantes desse sistema. A reforma universitária de 1968 promovida pelo regime militar intensificou essa situação ao mesclar modelos organizacionais e pedagógicos incompatíveis (Almeida-Filho & Souza, 2020). Com o fim do regime militar, projetos utópicos de reforma universitária, expressos nos princípios constitucionais da educação pública, gratuita, democrática e de qualidade, foram propostos, porém permaneceram no plano normativo, sem efetiva concretização institucional. Tentativas de reforma nos governos FHC e Lula-1 enfrentaram resistências políticas e acadêmicas que impediram sua implementação plena. Como projeto de reforma universitária, ainda que contestado pela reação interna das instituições de ensino e reduzido e limitado nos seus processos de implementação, registre-se o programa REUNI, mencionado acima, implementado nos governos Lula-2 e Dilma Rousseff. A partir de 2019, instalou-se no país, e em todo o mundo, uma luta ideológica (equivocadamente designada como “guerra cultural”) contra a racionalidade e a civilização, contra a ciência e a arte, contra a política e a democracia. Naquela conjuntura, as instituições públicas se viram sob cerrado ataque. Vetores distópicos vicejavam num pais que se mostrava em permanente estado de mal-estar social: ambientes persecutórios, totalitários, perversão de valores e violência, descumprimento da responsabilidade pelo que chamamos de serviços públicos ou políticas públicas, não somente por omissão, mas ativamente (Almeida-Filho & Souza, 2020). A universidade, espaço autônomo que representa o pensamento crítico, foi demonizada (Salles, 2019), tornando-se um dos principais alvos dos agentes da distopia representativos de tendências históricas da sociedade brasileira. Recentemente, tem-se consolidado, em escala global, um processo de constrangimento político do espaço educacional, visando sobretudo desconstruir um patrimônio cultural da humanidade: a universidade (Lyer & Suba, 2019). Tal movimento se intensifica no contexto do agravamento simultâneo de crises econômicas, sociais, políticas e morais, associadas à ascensão de governos orientados por uma escatologia política peculiar, cujos efeitos se expressam no desmonte de políticas públicas, na erosão de direitos sociais e na crescente ameaça às liberdades civis. Trata-se de um cenário marcado pela perseguição à inteligência crítica, no qual ganham força o negacionismo científico, o obscurantismo cultural e o fascismo social, alimentando práticas de intolerância, racismo e xenofobia. É nesse ambiente distópico e regressivo que emergem propostas que atentam diretamente contra a autonomia e a liberdade acadêmica das universidades, impondo-lhes uma racionalidade imediatista e utilitarista, bem como modelos de organização, financiamento e controle estatal que, com as devidas ressalvas históricas, remetem à herança da reforma bonapartista (Almeida-Filho, 2025). Não tenho dúvida de que o ataque às universidades constitui, em essência, um ataque à própria democracia. Em numerosos países, observa-se o avanço persistente do cerco obscurantista, expresso no negacionismo científico e humanista. Isso ocorre porque a universidade pública permanece como um espaço imprescindível à cidadania e à vida democrática, no qual se cultiva a liberdade ampla de crítica, por meio da análise rigorosa, da reflexão e da proposição criativa, desempenhando funções que nenhum parlamento consegue exercer com densidade intelectual e inventividade nas esferas da política, da cultura e das técnicas (Salles, 2019). No âmbito da educação superior, vejo que a disputa central se dá em torno do próprio conceito de autonomia universitária. Para enfrentar e vencer esse desafio, creio que é necessário revisar criticamente as formas tradicionais de luta, investindo na construção de uma nova aliança entre forças progressistas, animada por uma esperança política renovada e orientada por práticas proativas, criativas, engajadas e socialmente enraizadas. Contudo, tal enfrentamento não pode reproduzir agendas políticas cristalizadas, nem reiterar formas ultrapassadas de atuação que apenas respondem a provocações e acabam por reforçar a lógica do adversário. Persistir nesses caminhos significa desperdiçar a oportunidade de corrigir erros históricos, elaborar perdas passadas e refletir, de modo mais profundo, sobre os princípios que nos unem e nos definem (Salles, 2019). Herdeira de uma tradição historicamente democrática, a universidade deve afirmar e defender sua autonomia, exercitando-a em todos os domínios, sobretudo no campo político. Em termos mais precisos, para se afirmar como detentora de autonomia institucional, a universidade pública não pode se reduzir à condição de agência estatal, burocratizada, regulada de forma excessiva, financeiramente dependente e subordinada à esfera política do Executivo. Tampouco pode se converter em empreendimento privado, limitado à prestação de serviços docentes, tecnocientíficos ou gerenciais, destituído de ethos e ética, vulnerável às pressões do mercado, às emendas parlamentares e a mecanismos contingentes de financiamento. Ao contrário, adotando uma postura criativa, realista e pragmática – em consonância com o espírito da protopia – as universidades públicas brasileiras precisam dispor de instrumentos efetivos que viabilizem a autonomia plena dos meios, articulada a uma autonomia relativa dos fins, resultante de pactuações democráticas com a sociedade real, e não apenas sob a tutela de um Estado frequentemente apropriado politicamente pelas elites dominantes. Tal defesa exige vigor político-ideológico e rigor teórico-metodológico, implicando o enfrentamento de censuras e a promoção de uma ética eco-etno-social, ainda que se reconheça a complexidade e a dificuldade dessa tarefa. No registro da protopia, a universidade não pode se conceber como um quarto poder soberano, isolado e autossuficiente, nem assumir a posição passiva de espectadora do colapso civilizatório, pois a necropolítica é implacável em seu poder destrutivo. Em um país constituído sobre bases colonialistas, racistas e patriarcais, com tradição universitária recente e ainda frágil, onde persiste a dificuldade de reconhecer que autonomia institucional e liberdade acadêmica são condições indispensáveis ao desenvolvimento do ensino e da pesquisa, torna-se especialmente desafiador aceitar a existência de um ente público autônomo em relação à instância que o financia, legitimado por competências científicas, tecnológicas, artísticas e culturais socialmente reconhecidas. Nesse contexto, creio que cabe à universidade pública assumir como responsabilidade fundamental a produção sistemática de conhecimento, com qualidade-equidade, buscando excelência acadêmica e sustentabilidade em seus processos, produtos, efeitos e impactos, nos planos social, institucional e pedagógico. Na parte III deste artigo, veremos como uma tecno-protopia emancipadora pode unir forças políticas e movimentos sociais em prol de uma universidade pública autônoma, com competência sociotécnica, soberania tecnológica e sensibilidade eco-etno-social. | A A |
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